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MERGULH0, 2020

Prólogo

 

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Sobre a fotografia no canto esquerdo superior do vídeo.

 

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Em 1905, uma equipe de cerca de 150 trabalhadores partiu para lidar com as problemáticas fundações da Catedral de uma vez por todas. As atuais fundações de madeira estavam apodrecendo sob a Catedral e parte do edifício estava começando a diminuir. William Walker, um mergulhador do fundo do mar, trabalhou na escuridão abaixo dos muros da catedral por quase seis anos para substituir as fundações.

 

Fonte: Site da Winchester Cathedral

 

   O vídeo “Mergulho” foi concebido como uma derivação cinética de uma pesquisa de sobreposição de imagens da paisagem urbana e de imagens das águas de rios. O caráter límpido, natural e fluido da água contrapõem-se com as marcas de cultura da vista da cidade onde tudo é artificial e construído.

 

   O vidro translucido da janela ecoa no imaginário como o vidro do escafandro que permite visualizar o mundo exterior. Assim, pôr analogia, o espaço privado como o involucro do escafandro, onde estamos protegidos, e a janela como a circunferência de vidro que permite enxergar a área inacessível da realidade.

 

   Não por acaso, a metáfora visual do vídeo surge no momento de pandemia, como um registro imagético da percepção da cidade e do espaço público.  Uma tradução visual do sentimento de perigo invisível do mundo externo, como em uma tradução visual e sonora descortinada por uma lente que capta frequências não visíveis aos olhos.

 

Caio Siqueira 2020

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As cenas do vídeo-arte “Mergulho” são as inspirações para duas outras séries: “Submerso” e “Escafandro”. Essas três séries do artista Caio Siqueira são, assim, interdependentes, em uma produção retroalimentada e que encontra em um lampejo o ensejo criador para múltiplos prismas. 


O vídeo foi concebido como derivação de uma primária pesquisa de sobreposição de imagens da paisagem urbana com imagens das águas de rios. O ensejo do artista é contrapor o caráter límpido, natural e fluído da água às marcas da cidade que, ainda que sejam orgânicas, trazem mais concretude em sua ambiência. 


Do vidro da janela dos edifícios, observa-se o mundo exterior, assim como o mergulhador utiliza o vidro do escafandro. O imaginário do artista ecoa, e a partir do embate entre o espaço privado, onde está protegido, e o espaço público, onde expõe-se, desenvolve questões que discute em suas obras. 


A pouca incidência de luz na cena imprime um ar enigmático às imagens, as quais aludem à impressão de um ambiente inóspito e inseguro. Ao passo que a cena dissipa-se, Caio evidencia o sentimento quanto à atual conjuntura que vivemos. As séries foram produzidas no período de isolamento social, e transformam em imagem o sentimento de muitos traduzido em uma onda visual e sonora que capta frequências não visíveis ao olhar.

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texto: Letícia Suárez Victor / Vitória Pecora

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Mergulho, 2020

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